Ana Lee

Músicas

1. Meu Desejo (Walter Garcia)

2. Virtual (José Miguel Wisnik e Alice Ruiz)

3. O Que Será – À Flor da Pele (Chico Buarque de Holanda) 

4. Jongo Tradição II (Walter Garcia)

5. Se Meu Mundo Cair (José Miguel Wisnik)

6. Concerto em Paris (Sérgio Varkala e Alessandro Ayudarte)

7. Tô Ligada, Tô Legal (Walter Garcia)

8. Meu Desejo (Walter Garcia)

9. Deserto Para Erik Satie (Lincoln Antonio e Walter Garcia)

10. O Todo Abismo (Lincoln Antonio e Walter Garcia)

11. Modinha ( Jayme Ovalle e Manuel Bandeira)

12. Aplauso (Chico César e Tata Fernandes)

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Meu desejo

Meu desejo
(Walter Garcia)

Quando a dor da solidão vier
Não me venha requerer perdão
Fique onde está, não quero perdoar
Prefiro não querer, preciso de você
Como um recibo, de que hei de vencer a dor

Meu desejo compra o céu e o chão
Torna o corpo e o coração papel
E eu penso atrás: quem sou a desejar?
Sou rica de querer da vida
Mais do que já tenho ainda
Sou quem desejou arder

Amor, minta
Finja que não vai
Sinta o quanto me destrói
Render-me aflita

Mas se for e a solidão vier
Não me venha requerer perdão
Fique onde está
Não quero perdoar
Prefiro não querer
Preciso de você como um recibo
De que hei de vender a dor
De amar

Voz: Ana Lee
Piano: Miguel Briamonte

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Meu amor por você

Meu amor por você
(Walter Garcia)

Meu amor por você
Não tem vez,  nem talvez
Não há nada a nos chamar
Lua, sol, vento, mar

Tanto existem quanto passam,
Sem se importar
Seguem no mundo a rodar
Quem permanece no centro é você

Esse amor que inventei de sentir, sem fingir
Mata  a máscara da dor
E remove montanhas, manhas
Manias e defeitos de feitor
Não há réu nem senhor,
Só meu desejo do amor que inventei

Meu amor por você
Eu perdi, e encontrei
Meu amor por você
Eu vivo sem querer
Eu vivo sem querer

Ana Lee: voz
Brau Mendonça: violão
O Zi: violão
Marisa Silveira: Cello
Ana Isabel: viola
José Henrique Penna: flauta

Arranjo de base: Brau Mendonça e O Zi
Arranjo de cordas e flauta: José Henrique Penna

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Virtual

Virtual
(José Miguel Wisnik e Alice Ruiz)

Sempre tão perto de você
E há tanto tempo sem te ver
Vejo você no vento
Sinto você por dentro
E eu sem você

O pensamento faz sentir
Pode criar e destruir
Pesadelo medonho
Ou inventar um sonho
Para seguir

Seguir tanto sonho até acreditar
No instante maior do que a vida fugaz
Te ver é vertigem, pensar é miragem
Se o tempo parasse, guardava essa imagem
Mas ele acabou de passar

Se existiu, eu já nem sei
Se foi real, ou viajei
Se foi o meu desejo
Que viu, e eu não vejo
Eu te inventei?

Ana Lee: voz
Brau Mendonça: violão de nylon e guitarra
O Zi: violão de nylon
Guilherme Kastrup: percussão, programação e samplers
Itamar Vidal: clarone

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O que será – à flor da pele

O que será – à flor da pele
(Chico Buarque de Holanda)

O que será que me dá
que me bole por dentro, será que me dá
que brota à flor da pele, será que me dá
e que me sobe à face e me faz corar
e que me salta aos olhos a me atraiçoar
e que me aperta o peito e me faz confessar
o que não tem mais jeito de dissimular
o que nem é direito ninguém recusar
e que me faz mendigo , me faz suplicar
o que não tem medida, nem nunca terá
o que não tem remédio, nem nunca terá
o que não tem receita

O que será que será
que dá dentro da gente e não devia
que desacata a gente, que é revelia
que é feito uma aguardente que não sacia
que é feito estar doente de uma folia
que nem dez mandamentos vão conciliar
nem todos os unguentos vão aliviar
nem todos os quebrantos, toda alquimia
que nem todos os santos, será que será
o que não tem cansaço, nem nunca terá
o que não tem descanso, nem nunca terá
o que não tem limite

O que será, que me dá
que me queima por dentro, será que me dá
que me perturba o sono, será que me dá
que todos os tremores me vem agitar
que todos os ardores me vem atiçar
que todos os suores me vem encharcar
que todos os meus nervos estão a rogar
que todos os meus órgãos estão a clamar
e uma aflição medonha, me faz implorar
o que não tem vergonha, nem nunca terá
o que não tem governo, nem nunca terá
o que não tem juízo

Ana Lee: voz
Célio Braoos: baixo acústico

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Jongo Tradição II

Jongo Tradição II
(Walter Garcia*)

Em Barreiro e Bananal
Tinha escravo e cafezal
Trem de ferro que passou
Na senzala de pedra e atropelou

Tombo no jongo, ê
Quem vai me levantar
Venha meu pai eê
Essa dança me ensinar

Tombo no jongo ê…

Na farmácia popular
Dna. Cida sabe contar
Que a avó do meu avô
Era negra amigada com Sinhô

E a cadência da poesia
Deu-lhe fé, força e folia
Mas o pai do meu avô
Foi mulato que o padre batizou

Tombo no jongo ê…

Em Barreiro e Bananal
Hoje é Parque Nacional
O Tom e a Sônia me tem amizade
E me hospedam na sede da saudade

Quando o sino anunciar
Meio-dia eu vou cantar
Entoarei em melodia pagã
Todo sangue é da cor do suinã

Tombo no jongo ê…

Ana Lee: voz
Brau Mendonça: violão nylon
Cássia Maria: percussão

*Inspirado em Jongo Tradição, de Lincoln Antonio, Walter Garcia, Marcelo Mota Monteiro e Paulo Maymone.

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Se meu mundo cair

Se meu mundo cair
(José Miguel Wisnik)

Se meu mundo cair
Então caia devagar
Não que eu queira assistir
Sem saber evitar

Cai por cima de mim
Quem vai se machucar
Ou surfar sobre a dor
Até o fim?

Cola em mim até ouvir
Coração no coração
O umbigo tem frio e arrepio de sentir
O que fica pra trás
Até perder o chão

Ter o mundo nas mãos
Sem ter mais
Onde se segurar

Se meu mundo cair
Eu que aprenda a levitar

Ana Lee: voz
Swami Jr.: violão 7 cordas
Célio Barros: baixo acústico
André Magalhães: percussão

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Concerto em Paris

Concerto em Paris
(Sérgio Varkala e Ayudarte)

A ponte fincada
Nas águas fluentes
Tem arcos fazendo passagem
Entrada dos novos mundos
Longe dos muros altos da cidade

Manhã que aconchega
A neblina invade e esquenta
O único ser vivo da paisagem
Parece ter sido desenhado

Pelas mãos de algum desconhecido Deus
Pelas mãos de algum desconhecido Deus

Da ponte só se vê a sombra dos tijolos
De um lado, a cidade
Do outro, a cidade
Mas é só minha imaginação sem fé
Ligando nada a querer
Para tudo conseguir
Indo desesperadamente a nenhum lugar

Pelas mãos de algum desconhecido Deus
Pelas mãos de algum desconhecido Deus

Ana Lee: voz
O Zi: violão nylon e aço
Brau Mendonça: violão nylon
André Magalhães: piano e caxixi
Ari Colares: derbak

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‘Tô ligada, ‘tô legal

‘Tô Ligada, ‘ Tô legal
(Walter Garcia)

Eu tô ligada, eu tô legal
Eu tô no espaço virtual
Sem sair do meu quintal
Vou de Marte pro Japão
Vou de Plutão ao Senegal
Do Sert]ao ao Vidigal

Vejo o esporte na fotografia
Leio a morte de milhares na Turquia
Ai, como é brutal a sensação
De situação ideal

Eu tô plugada no integral
De um pensamento original
Sem fronteira federal
Já fechou o Minhocão
Já alagou a Marginal
Contou-me o clic do botão

Violência na periferia
Penitência contra a carestia
Ai, como é banal a informação
Que deixa a gente tão down

Tô enviando a Montreal,
Paris e Jaboticabal
Uma mensagem sensual
Bate-papo, que alegria
Assim escapo à solidão
E à paixão convencional

Abram alas à mi’a fantasia
Entrei em salas como eu nunca ousaria
Ai, que bacanal de perfeição
Em comunhão mundial

E antes de cansar
Vou sair do ar
Lá fora o sol já vem
E aqui tudo está muito bem

Vou me deletar
Comer, dormir, sonhar
Dor, desejo, desdém
Não guardo de nada ou ninguém

Voz: Ana Lee
Brau Mendonça: violão nylon
André Magalhães: bateria e percussão
Itamar Vidal: clarone

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Deserto para Erik Satie

Deserto para Erik Satie
(Lincoln Antonio e Walter Garcia)

Solidão, sem lugar
Num deserto abriu
Meu olhar

Desperto enxerguei, por fim
Meu sono sufocar
Minha voz calou
Meu olhar gelou
Zerou
Gerou-se em rio
Por fim

Pode o tempo alagar
Um deserto assim
Sem lugar?
Decerto esperei, sem fim
Seu seco se afogar
Minha voz jongou
Meu olhar
Jorrou
Jogou-se enfim
Ao mar

Ana Lee: voz
Miguel Briamonte: piano
André Magalhães: percussão
Luis Antônio Ramoska: fagote

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O todo abismo

O todo abismo
(Lincoln Antonio e Walter Garcia)

O tempo vai
Barquinho de papel
Navega o vento e vai
Navega o vento e vai
Rolando vida abaixo, sem corrimão
Caindo feito um gato

O tempo foi
Um pingo na maré
Barquinho que se foi
Barquinho que se foi
Tranquilo entre desvios, com direção
Embora sem sentido

O tempo é
Barquinho de aluguel
E o curso que perfaz
E o curso que perfaz
Desfaz seu origami deixando ao chão
Não dobras mais arames

Tempo será
De mera folha aberta
Seu locatário jaz
Seu locatário jaz
E ao locador lhe resta outra armação

Pra um barco que começa
Pra um barco que começa
Pra um barco que começa
Pra um barco que começa…

Ana Lee: voz
O Zi: violão nylon
André Magalhães: bateria e percussão

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Modinha

Modinha
(Jayme Ovalle e Manuel Bandeira)

Por sobre a solidão do mar
A lua flutua
É uma ternura singular
Palpita emc ada coração
Só tu não vens trazer alívio ao trovador
Que vai tangendo apaixonado
As cordas da triste lira
Que suspira desmaiando
Suplicando o teu amor

Eu te suplico, te imploro, te rogo
Prostrado aos teus pés
Com fervor
O teu sorriso de criança
Vê! Vou gemendo de dor
E na esperança de um dia melhor
Unido a ti
Tu és toda a fé que eu perdi

Ana Lee: voz
Brau Mendonça: violão nylon
Marisa Silveira: cello

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Aplauso

Aplauso
(Chico César e Tata Fernandes)

Uma valsa de palmas
Para a alma
De fala calma
Que abre alas
Para a alma
De aura alva
Que dança descalça
Ao som de uma salsa

alma em alfa
Que não sabe ser falsa
E nem fazer sala
Para alma mala sem alça

Ana Lee: voz
Swami Jr.: violão 7 cordas
Oswaldinho do Acordeon: acordeon

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Compositores

Disco Ana Lee (2002)

Walter Garcia

Lincoln Antonio

Chico Buarque

José Miguel Wisnik

Alice Ruiz

Chico César

Tata Fernandes

Manuel Bandeira 

Jaime Ovalle

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O cd “‘Ana Lee”: Tradição e Contemporaneidade

Produzido por André Magalhães, ex-Aquilo Del Nisso, trabalho aposta numa sonoridade acústica e camerística, investe em nova safra de compositores paulistas e busca sonoridade diferenciada.

Ana Lee lançou em 2002 seu primeiro CD, homônimo, produzido por André Magalhães (A Barca), e traz em seu repertório estilos variados, compositores que vão da nova geração como Chico César, Lincoln Antonio e Walter Garcia, passando por José Miguel Wisnik, Chico Buarque (cantando O Que Será – À Flor da Pele acompanhada apenas do baixo acústico de Célio Barros), até Manuel Bandeira e Jayme Ovalle com sua Modinha – opus nº 5 (sendo a “modinha” o primeiro gênero de canção popular a chegar ao Brasil, segundo J. R. Tinhorão), entre outros.

O disco tem uma sonoridade extremamente sofisticada, apoiada em poucos instrumentos, porém com combinações variadas e surpreendentes, buscando as sutilezas e o relevo da palavra.

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Rádio Ana Lee – CD Ana Lee

Ouça online as faixas do album de estréia

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