Ana Lee

Mário Montaut

Ana Lee é pura Primavera, cheirando a Botticelli. Em parcerias com as Deusas manifestas nas ilustrações do encarte do disco e outras ainda em estados latentes, mas que não deixam de nos brindar com sutis eflúvios, Ana vai domando, com seu magnetismo personalíssimo, um repertório poderoso. Subjugando-o docemente com toda aquela classe que parece ter assimilado do João Gilberto e do Caetano no que eles têm de melhor, a verve interpretativa e a agudainteligência analítico-musical.
As canções se incorporam num estilo íntegro e calmo, que a gente ouve sem sustos, mas sem perder uma nota da passionalidade aqui exalada
em altíssimos teores.
Ana Lee, neta de avô Li chinês de Cantão, que num desdobramento gráfico a fez também Lee, como a roqueira Rita. Paulistana,
no que São Paulo comporta de mais mundo, Ana são muitas cidades, sonhos, varandas. Sonoridades acústicas e camerísticas. Raros instrumentos em música popular. Ana Lee: que instrumento! E os complexos resultados? Não, quanto a eles nem Freud, nem Chico, nem Ana explica. Um enxame de cupidos. E para as certeiras flechas do romântico veneno, não há cura. Assédios do Louco Amor.
Mário Montaut – Poeta, músico e compositor

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Tupi tu és

Ana Lee e Ricardo Corona desenvolvem um trabalho poético-musical há mais ou menos dois anos.O objetivo é gravar um disco de poesia musicada. E um dos contextos desse disco será a incorporação livre de mitologias que não estão no centro de nossa história cultural. Mitologias estas que foram adaptadas (livremente), em forma de poesia, e que, segundo Antonio Cicero (no texto de apresentação do livro Corpo sutil, de Corona) são “poemas fonopaicos como “Baka”, “Tupi tu és”, “Wãwã” etc., cuja sonoridade singular resulta da imbricação de fragmentos temáticos, palavras e ritmos pertencentes a culturas orais primárias e fragmentos temáticos, palavras e ritmos (e arritmias) contemporâneos.”

Ouça uma dessas parcerias,

Tupi tu és. (baixe a música)

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